João Pessoa na ParaíbaOs turistas que vêm a João Pessoa encontram, além de sol e praia, uma tranquilidade que contrasta com a agitação das grandes cidades do Sul e mesmo as grandes capitais do Nordeste.

Foram vários os nomes pelos quais se chamou o pedaço de terra que se estende entre o rio Sanhauá e o oceano Atlântico.

Em 1585, ano de fundação da cidade, chamou-se Nossa Senhora das Neves; em 1588, passou a ser conhecido como Filipéia, em homenagem ao então rei de Portugal e Espanha, Filipe I.

Com a invasão holandesa, no ano de 1634, recebeu o nome de Frederica, em alusão ao príncipe Frederico de Orange.

Expulsos os invasores, em 1654, ganhou a denominação de Paraíba – que em tupi quer dizer “braço de mar”. Finalmente, em 1930, a cidade recebeu o nome de seu governador, cujo assassinato naquele ano causou intensa comoção popular e repercussão nacional.

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A presença generosa do sol e o mar acalmado pelos recifes fazem dessa capital de tantos nomes um irresistível destino turístico.

As praias convidam famílias inteiras a uma caminhada ou a um mergulho tranqüilo logo ao nascer do sol ou nos fins de tarde; a orla é protegida por uma lei que proíbe a construção de prédios com mais de quatro andares – sábia medida que garante a luz solar nas praias ao longo de todo o dia.

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Além das belezas naturais, a capital paraibana tem um encantador conjunto de edificações barrocas, e bons pontos para a compra de artesanato regional.

João Pessoa, que fica a 120 quilômetros de Recife e 180 de Natal é alcançada pela BR-101.

PRAIAS

As águas calmas das praias de João Pessoa – em boa parte resultado de um quebra-mar natural formado pelos recifes – são o fim do de um cenário cada vez mais procurado pelos turistas que visitam o Nordeste. Tambaú, a praia central da cidade, agita-se com o movimento de hotéis, bares, quiosques e ambulantes.

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Em sua larga faixa de areia, moradores e visitantes caminham, correm, jogam futebol e fresco boI. No verão, o mar seca de tal maneira que é possível entrever o chamado “Picãozinho”, uma formação de corais.

Ao norte de Tambaú, e sem guardar muita diferença dela, ficam as praias urbanas de Manaíra e Bessa.

No sentido oposto, a primeira praia perto de Tambaú é Cabo Branco, que nos fins de tarde também é tomada por pessoas dispostas a andar, correr ou jogar bola; de manhã, entre 5 e 8 horas, a avenida que acompanha a praia é fechada para que moradores e visitantes passeiem com os filhos, andem de patins e façam ginástica.

Em Ponta do Seixas fica o Farol do Cabo Branco, o ponto mais oriental da América do Sul; do alto dele se tem uma vista magnífica da orla da cidade.

Programa obrigatório durante o dia, o lugar deve ser evitado à noite, quando se torna inseguro. Ainda em direção ao sul, a praia seguinte a Ponta do Seixas é a da Penha, popularíssima em João Pessoa.

Nela está localizada a famosa igreja cuja escadarias continuam a receber pagadores de promessa, que fazem questão de subi-las de joelhos.

mapa João Pessoa - PB

PRAÇA JOÃO PESSOA

PRAÇA JOÃO PESSOANo entorno desta praça erguem-se os edifícios do poder estadual.

O destaque é o Palácio da Redenção, sede do governo. O prédio, que guarda as cinzas de João Pessoa, foi construído pelos jesuítas em 1586, e ao longo do tempo sofreu uma série de intervenções – a última delas foi a retirada, em 1995, do piso de mosaicos decorados com suásticas.

Ao lado dele fica a Faculdade de Direito da Paraíba, que funciona no antigo edifício do Liceu Paraíbano, inaugurado em 1745.

Do lado oposto da praça está o Tribunal de Justiça, cujo prédio, datado de 1919 e tombado pelo Instituto de Património Histórico do estado, abriga no subsolo a cripta do ex-presidente Epitácio Pessoa. É aberto à visitação monitorada pela manhã.

IGREJA E LARGO SÃO FREI PEDRO GONÇALVES

Igreja São Frei Pedro GonçalvesA primitiva capela de São Frei Pedro Gonçalves foi construída no século XVII e demolida em 1843; a igreja que a substituiu no local foi alterada em 1916, o que determinou suas feições atuais.

Em 2002, uma restauração encontrou os primeiros alicerces, hoje expostos aos visitantes (largo Frei Pedrp Gonҫalves, s/n, Varadouro).

No largo da igreja, à esquerda, ergue-se outro marco de João Pessoa, o edifício do Hotel Globo, de 1929. O prédio, onde hoje funciona o consulado espanhol, tem influências do neoclássico e do art déco.

O melhor horário para conhecer o largo é o entardecer, quando o sol projeta uma luz laranja sobre a igreja e o casario nos arredores, pintando tudo de tons pastel. Após as 18 horas, o local fica deserto e pouco seguro.

CENTRO CULTURAL DE SÃO FRANCISCO

CENTRO CULTURAL DE SÃO FRANCISCOA história deste conjunto arquitetônico – um dos mais importantes do barroco brasileiro – começa em 1589, quando os franciscanos construíram um convento de taipa. Em 1602, eles começaram a erguer, com pedra calcária, a igreja de São Francisco.

A data gravada em seu frontispício é 1779; a da torre é 1783 e a do adro, 1788. O turista poderá esquecer as datas – mas dificilmente conseguirá apagar da memória o interior desta antiga edificação: a nave, cercada por um painel de azulejos que retrata a história de José no Egito, contém um púlpito com bela talha.

A pintura do forro mostra santo Elias. Do lado esquerdo fica a Capela Dourada, com a imagem de santo Antônio e talhas revestidas de ouro.

No coro descansam belíssimas cadeiras talhadas em jacarandá, feitas no século XVIII , e oito painéis da mesma época.

Funcionando desde 1990 como centro cultural, o convento abriga ainda um museu de arte sacra, outro de arte popular e a Galeria de Pedra, onde estão expostos fragmentos de rochas de diferentes épocas, encontrados durante os trabalhos de restauração. Praҫa de São Francisco, s/n, Centro.

ARQUITETURA RELIGIOSA

Além do conjunto arquitetônico de São Francisco e da igreja de São Frei Pedro Gonçalves, outros edifícios religiosos chamam a atenção na capital paraibana.

A igreja de São Bento, do começo do século XVIII e tombada pelo Iphan, preserva a fachada barroca, embora seu interior esteja descaracterizado (rua Gal. Osório, 36, Centro).

É também barroca a igreja de Nossa Senhora do Carmo, anexa à capela de Santa Teresa d’Ávila, que se encontra em processo de restauração; nelas, destacam-se a fachada em cantaria lavrada e a rica talha do interior (praҫa D. Adauto, s/n, Centro).

A matriz de Nossa Senhora das Neves foi construída no século XIX no mesmo local onde, em 1585, foi erguida a primeira capela da cidade. Sua fachada em estilo eclético data de reforma feita entre 1881 e 1884 (praҫa D. Ulrico, s/n, Centro).

Modesta e sem ornamentos, a igreja da Misericórdia foi edificada no século XVI; no arco da capela-mar ainda se pode ver o emblema da Coroa portuguesa (rua Duque de Caxias, s/n, Varadouro).

CASA DA PÓLVORA

CASA DA PÓLVORAFincada num ponto estrategicamente elevado, esta pequena fortaleza erguida em 1710 era utilizada como depósito de munição.

Construída em pedra, sedia hoje o Museu Fotográfico Walfredo Rodrigues, que possui uma pequena coleção de imagens antigas da cidade.

A grande atraçào, no entanto, é a vista do rio Sanhauá. Lad. São Francisco, s/n, Varadouro.

TEATRO SANTA ROSA

TEATRO SANTA ROSAEntre o iIúcio das obras (1853) e a inauguração (1889) passaram-se 36 anos, período em que o teatro chegou a ser usado como enfermaria militar.

Quando, finalmente, a construção de estilo neoclássico abriu suas portas, o que se viu foram instalações imponentes e primorosas de pinho-de-riga alemão.

Reformado em 1989, o Santa Rosa tem capacidade para 418 pessoas. Praҫa Pedro Américo, s/n, Centro.

FÁBRICA DE VINHOS TITO SILVA & CIA

Inspirado por franceses em visita à Paraíba, o empresário Tito Henrique da Silva fundou em 1892 uma fábrica de vinhos de caju. A produção chegou a receber prêmios internacionais no começo do século XX e manteve-se até a década de 1980.

Endividada, a fábrica fechou suas portas, mas todo seu patrimônio – prédio, máquinas e equipamentos – foi tombado pelo Iphan. Hoje, os três blocos da antiga empresa guardam prensas, tonéis e outras peças.

Ali também funciona a Oficina Escola de Revitalização do Patrimônio Cultural de João Pessoa, sociedade civil que oferece cursos de restauro a adolescentes que, depois de formados, trabalham na preservação de bens da cidade. Rua da Areia, 33, Varadouro.

MUSEUS LITERÁRIOS

Dois dos maiores representantes da literatura regionalista brasileira, José Américo de Almeida (1887-1 980) e José Lins do Rego (190 1-57), eram paraibanos. O primeiro nasceu em Areia, e o segundo, em Pilar.

É compreensível, portanto, que ambos sejam homenageados na capital do estado com espaços culturais que levam seus nomes.

A Fundação Casa de José Américo de Almeida funciona na casa onde o escritor e político (foi governador da Paraíba em 1950) viveu de 1953 até sua morte. Lá está, além dos objetos pessoais, sua biblioteca – concisa, mas farta em bibliografia sobre o Nordeste.

Situada em Cabo Branco, a residência, de frente para o mar, foi um marco do início do processo de urbanização daquela parte da orla.

Além de cuidar do acervo do romancista de A bagaceira, publicado em 1928, a fundação é responsável por projetos de preservação de patrimônios imateriais do estado (av. Cabo Branco, 3336, Praia do Cabo Branco).

No Centro de Convenções do Espaço Cultural José Lins do Rego há um museu dedicado ao autor de Menino de engenho (1932) .

Guardados em vitrines, manuscritos, livros e até a máquina de escrever do ficcionista podem ser vistos no local. José Lins do Rego passou parte da vida em Recife e morreu no Rio de Janeiro (rua Abdias Gomes de Almeida, 800, Tambauzinho).

Guia de Turismo e Viagem de João Pessoa na Paraíba

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